Introdução

Do fim do século XVII até o começo do século XIX, o Brasil passou por diversas revoltas que podem ser divididas, segundo suas características, em dois grupos: movimentos nativistas ou reformistas e movimentos emancipacionistas.

Até a primeira metade do século XVIII, diversos movimentos nativistas realizaram-se no Brasil. O que caracterizou esses movimentos foi a negação dos abusos portugueses sem, no entanto, contestar o domínio luso. Baseavam-se, portanto, na defesa dos interesses locais e regionais porém sem questionar o pacto colonial. Já os movimentos emancipacionistas, ocorridos da segunda metade do século XVIII ao primeiro quartel do XIX, trataram-se de revoltas contra a subordinação da colônia ao poder da Coroa portuguesa. Diante dos sinais de esgotamento do sistema colonial, estas tensões surgem lutando, principalmente, pela independência política da região que representavam. Neste blog falaremos sobre a REVOLTA DOS BECKMAN

Revoltas Nativistas

Ocorridas num intervalo de aproximadamente 30 anos, as revoltas nativistas têm muito em comum entre si, sao elas:

►A aclamação de Amador Bueno da Ribeira como rei de São Paulo.

►A revolta dos irmãos Beckman, no Maranhão.

►A guerra dos Emboabas, em Minas Gerais.

►A guerra dos Mascates, em Pernambuco.

►A revolta de Filipe Santos, em MInas Gerais. Tempos depois, surgiu também a idéia de libertar o Brasil do domínio de Portugal. O mais importante movimento, nesse sentido, foi a Inconfidência Mineira.

Revolta dos Beckman (1684)

No Maranhão, por volta do século XVII, a situação econômica baseava-se na exploração das drogas do sertão e nas lavouras dos colonos. A mão-de-obra usada nessas plantações não podia ser a escrava negra, uma vez que a região maranhense era pobre e não tinha recursos para valer-se de tal mão-de-obra escassa e cara, restando como opção a escravização de indígenas. Já as drogas do sertão eram extraídas com mão-de-obra indígena porém não escrava, uma vez que os índios, habitantes de missões jesuíticas, eram convencidos a fazê-lo por livre e espontânea vontade, a favor da comunidade onde viviam. Um impasse, porém, estabeleceu-se

nessa situação quando os jesuítas conseguiram determinar junto a Portugal a proibição da escravização indígena, causando a insatisfação dos colonos e opondo os dois

grupos. Tendo como um dos motivos amenizar a tensão entre agricultores e religiosos, o governo português estabeleceu, em 1682, uma Companhia de Comércio para o Estado do Maranhão, que tinha como finalidade deter o monopólio do comércio da região, vendendo os produtos europeus e comprando os locais, além de estabelecer um trato de fornecimento de escravos negros para a região. Esta, contudo, não foi a solução do problema uma vez que a Companhia vendia produtos importados a altos preços, oferecia pouco pelos artigos locais e não cumpria com o abastecimento de escravos, sendo marcada pelo roubo e pela corrupção.

O descontentamento da população, diante deste quadro, aumentava cada vez mais. Assim, chefiados por Manuel e Tomas Beckman, os colonos se rebelaram, expulsando os jesuítas do Maranhão, abolindo o monopólio da Companhia e constituindo um novo governo, que durou quase um ano. Com a intervenção da Coroa Portuguesa, foi nomeado um novo governador para a região. Este puniu os revoltosos com a condenação à prisão ou ao exílio dos mais envolvidos, a pena de morte para Manuel Beckman e Jorge Sampaio e reintegrou os jesuítas no Maranhão. Dos objetivos da revolta o único que foi, de fato, alcançado com sucesso foi a extinção da Companhia de Comércio local.

“Não resta outra coisa senão cada um defender-se por si mesmo; duas coisas são necessárias: revogação dos monopólios e a expulsão dos jesuítas, a fim de se recuperar a mão livre no que diz respeito ao comércio e aos índios.” Manuel Beckman (1684)

Video sobre as Revoltas nativista

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